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Do livro: Uma
História Natural do Amor Diane
Ackerman
O amor é a luz branca da emoção.
Contém inúmeros sentimentos que, por preguiça e perplexidade,
aglomeramos em uma simples palavra.
A arte é o prisma que os coloca em liberdade,
acompanhando em seguida os rodopios de alguns deles.
Quando a arte separa esse denso emaranhado de sentimentos,
o amor revela seu esqueleto.
Todavia, ele não pode ser medido nem mapeado.
Todos admitem que o amor é maravilhoso e necessário,
mas ninguém consegue chegar a um acordo sobre o que ele é. (...)
Por mais sublime que a idéia do amor possa ser,
nenhuma imagem é excessivamente profana para ajudar a explicá-lo. (...)
Usamos a palavra amor de maneira tão descuidada que ela quase
pode significar nada ou absolutamente qualquer coisa.
É a primeira conjugação que aprendem os estudantes de latim.
É uma razão universalmente compreendida para o crime.(...)
O amor, tal como a verdade, é justificativa inatacável.
Quem quer que tenha dito pela primeira vez
"o amor faz girar o mundo" (um francês anônimo)
provavelmente não estava pensando na mecânica celestial,
mas sim na maneira pela qual o
amor impregna a engrenagem da vida,
a fim de manter em movimento gerações após gerações.(...)
Enquanto sociedade, o amor nos deixa desconcertados.
Nós o tratamos como se fosse uma obscenidade.
Relutamos em aceitá-lo. A simples menção da palavra
nos faz gaguejar e corar.
Por que deveríamos envergonhar-nos
de uma emoção tão bela e natural?(...)
O amor é a coisa mais importante de nossas vidas,
paixão pela qual lutaríamos ou morreríamos,
e no entanto relutamos em prolongar-nos na análise de seu nome.
Sem um vocabulário flexível, não podemos sequer falar
ou pensar diretamente sobre o amor.
Por outro lado, possuímos diversos verbos ásperos
que designam as formas pelas quais os
seres humanos podem machucar outro,
dúzias de verbos para as sutis gradações do ódio.
Contudo, para o amor, lamentavelmente
poucos são os sinônimos.
Tememos enfrentar o amor cara a cara.
Nós o consideramos um acidente de tráfego no coração.
O amor é uma emoção que nos assusta mais do que a crueldade,
mais do que a violência, mais do que o ódio.
Permitimos que a indefinição da palavra nos despiste.
Afinal de contas, o amor exige o máximo de vulnerabilidade.
Equipamos alguém com facas recentemente amoladas;
desnudamo-nos; e por fim nós o convidamos a aproximar-se.
O que poderia ser mais assustador?
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