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Certas coisas não se podem deixar para depois. Muitos poemas perdi pensando: "depois escrevo", "agora estou almoçando" ou "consertando a porta". Assim, adiei - perdi o melhor de mim. Certas coisas não podem deixar para depois, e nisto incluo; frutos no galho, mudanças sociais, certas coxas e bocas e esta manhã que se esvai. Certas coisas não podem deixar para depois o amor não se adia como se adiam o imposto, a viagem, a utopia. o desejo sabe o que quer, detesta burocracia Feito depois, o amor é murcha lembrança do que, não - sendo, seria Certas coisas não podem deixar para depois, Como o amor e as pessoas, não se pode recuperar a poesia.
Affonso Romano de Sant'Anna - O lado esquerdo do meu peito -
Enviado por Belle / Julho de 2001 |
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Última revisão: terça-feira, 29 de abril de 2003