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Gente em evolução
Perfeição
com que tonalidade o batom sujou
a borda do copo que horas atrás susteve
o paladar do correto.
O cílio que colocaste no olhar
turvou a sua aparição na tela da vida
e te desligou deu partida para voltar ao raciocinar.
A onde colocaste o lenço descartável
que servirá para enxugar o seu sorriso em lago.
Perfeição jamais será integra,
correta, você é gente,
gente comum e precisa de tinta para esticar a vergonha
da personalidade e mascarar a certeza de não ser perfeita.
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Sol
Nervos a flor da pele
nublo entardeço
me vejo qual quermesse nesse laurear,
visto o semblante,
pouso no diário
driblo o mercenário
nado a distância
e na cordilheira de meus dias
perco-me na andança
fujo para o esquecimento
Deste meu lamento.
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Saudade
Minha alma na fila espera a lata encher
coloca a vasilha nos sonhos
e molha-se de prazer.
Minha alma espera
encontrar quando se for
os amigos as paqueras que hoje a saudade lembrou.
Minha alma tão forte veio até o ontem, deixou o presente sofrido
buscou o sorriso da vida e
foi-se ao dia precisa.
Chegou olhou ao redor
viu-se trinta anos a mais
e em segundos nestes anos picou a mula , fugiu , ficou para trás
Quando quiser rever o passado
irá bem mais que depressa
montada na saudade louca esta minha alma tão esperta.
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Som de amor
Angústia que me aflige a alma, que me deixa confusa frente aos sons que se deslocam de encontro ao meu interior.
Que me faz escutar no silêncio o eco dos meus pensamentos,
Que me questiona a todo o tempo sobre o que ainda hei de fazer,
Que me presenteia com os filhos que o futuro é tão sonhador como o número finito de suas existências.
Escuto minha própria respiração, ouço meus risos, minhas lágrimas, o turbilhão de sentimentos que fazem morada em um corpo.
A voz que me grita dentro de meus próprios olhos, que utiliza meus braços para o movimento de seu som, que fazem com que os meus pés criem ritmo e acompanhem o sua música, que me deixa tão confusa frente a este coral celular.
Ouço o lamento das vias sangüíneas, escuto o grito do meu coração, os sustenidos de minhas narinas baleiam com o próprio ar,
Sentir tanto, todo este movimento,
É o amor que está a me sacolejar,
Já sou uma mulher madura, não posso acompanhar este baile
Será que é problema de ouvido ou será um amor descabido.
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Sonia Angel
Quando as algemas se fecham aos olhos, enegrecem a fome do certo.
O medo, os dias em riscos, as atrozes alegrias e dentro da dor a força de ter que lutar e vencer.
O que a fez assim integra no viver
Que lhe deu tanta força ao sofrer?
Que não a matou de medo diante da cara feia da morte?
E que a deixou à sorte do mal feitor de medalhas?
O mesmo que lhe pós a mortalha da tortura lhe fez a navalha na carne.
Ditou seu tempo!
Dura pena deixar de viver!
Viverás na eterna memória de pais, de irmãos, da história e serás a líder pintada de uma geração clara e brava que a ditadura não encara com medo de dar de cara com a sua própria cara marcada.
Trinta anos a frente sejas sempre persistente mesmo não estando com a gente.
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A Mãe das mães
Virgem senhora doçura infinita mais que bonita um sonho milenar
cor do orvalho, semblante de pureza, faz nos alegrar
Virgem esperança, tens vários nomes, dependendo do seu lugar
Virgem universal em cada canto um conto e um milagre a registrá-la
Virgem Maria
Mãe da fraternidade
Misericordiosa , escuta este canto
Invade os cantos, derrube as fronteiras , encharque a terra seca
alimente o esfomeado , para a ferida que sangra seja o estancado.
Virgem trabalhadeira, dê forças para a mulher que enfrenta a enxada a vassoura, a caneta, seus filhos em um canto precisando de sua presença ficam agitados chorosos , sozinhos preencha esta lacuna, mãe menina com a doçura que lhe é peculiar..
O virgem de Nazaré, de Aparecida de Fátima, da Penha, da Pena , de Belém , seja sempre a Virgem do Amparo
Aquela que não tem vaidade apesar da maravilhosa beleza
aquela que não enxerga um só filho, mais o seu reinado de órfãos e pagãos
ponha menina, mais amor nestes corações.
Mãezinha do céu eu quero aprender a rezar
para poder dizer-lhe da felicidade de respirar nesta terra, de ter avistado o mar
de ter me deliciado com as montanhas,
de ter dado filhos a este mundo
de ter acolhido filhos do mundo
de ter sabido aproveitar deste lugar
mais o que eu quero agradecer
e pôr te conhecer a distancia
de sentir o seu perfume suave
de observar a sua face de amor
de poder,
dizer que és o esplendor
és minha Mãe celestial
que prepara a minha cama na casa de Deus
Mãezinha, Virgem mãe dou-te agora e sempre o meu coração.
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Fé
Humilde
Cada gota que pingou
neste solo em Jerusalém
Fecundou a Paz
Fez nascer o bem.
Cada dor na carne santa
ecoou no mundo
cada lamento soa forte
todos os segundos.
Deus no diz a cada dia
seja mais profundo
não ensurdeça para vida
escute o mundo.
Que ecoa a cada hora
que faz vigilante
o ancião que espera
pelo o seu instante.
Se na Cruz uma mulher
se arrependeu, o perdão
veio depressa sem se lamentar.
Deus mandou o unigênito
para nos salvar.
Cada dia que se passa
o milagre faz-se
Deus envia o filho seu
Um menino nasce.
Se escolhe o dia certo
para grande enlace
e da vida e da morte
este fato dá-se
Mas se o homem observa
as curvas da vida
olhara feridas novas
em muitas avenidas.
Este povo já lavado pelo gota
santa
continua a sangrar
precisa aliança
do amor com a humanidade sem o preconceito
Jesus Cristo sorrira isto é um feito
Cada gota que pingou
neste solo em Jerusalém
fecundou a Paz
fez nascer o bem.
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Chamo Poesia
Poesia, estou chamando por você ao som de Renato Russo
Estou gritando seu nome na esperança da força da voz desta música na minha vida.
Poesia, não é que eu esteja melodramática, estou aos farrapos, me sentindo só sem até você para fazer a segunda voz do meu lamento, poesia que tormento!
Me angustio, as horas se passam, o som dramático de meus sentimentos, os acordes de minha alma são ungüentos que não conseguem cicatrizar minha dor.
Poesia, sinto falta de um amor
Não sou mulher de ser só, preciso ter o braço que me enlace, preciso ter a voz grave a me acariciar, necessito das entranhas em movimento
Poesia sou mulher para um homem amar.
AH! poesia danada que me enfastia os dias, que não me dá a resposta e nem sequer busca solução, porque me acompanha em silêncio se eu necessito é de um trovão e não de um lamento.
Pego fogo como as matas quando caem os balões ao mesmo tempo sou o pássaro que angustia frente ao calor por falta do mesmo amor.
Este fogo que me queima este som que me agita, esta ferida que sangra, sempre me mostras poesia.
Porque não modifica a forma de fazer-me questionar com coisas mais leves da vida sem que faça-me agitar.
Ah! poesia estou viva, preciso me encontrar e olhar nos olhos macho e beijar a boca do homem e ser mais que uma fêmea ser gente vivendo o amor.
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Miados das entranhas
Adormeceu a gata a interna
apagou a lanterna do cio e fez questão de sonhar
Deixou o miado na alma, com os olhos cerrados no chão e foi para ar
mergulhou em suas tramas
seus gritos loucos e sentidos,
deixou-os presos no sótão do sub-inconsciente,
e consciente que era um sonho
afrouxou suas mágoas
deu um nó nos instintos
naufragou seus sentimentos e deleitou-se na inteligência,
que demência!
tão sutil, seu emaranhado de conflitos
que sentido acreditou ser sonho o pesadelo da loucura
e a cura deste insano transporte da mente será a semente que brotará
com o desperta, ou será o dia da lucidez do deixa para lá?
Quem sabe a resposta ultrapasse o dormir e desperte no cotidiano?
Quem sabe um dia, uma noite, o descanso do espírito seja o caminho para dissipar está questão?
Ou quem sabe viver o sonho, o grito, o dia é mera expiação de quem escolheu a tentação terra para ser o seu caminho neste milênio?
Ou será que basta um esticar da audição para escutar o miado do coração.
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